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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A importância de se fazer um plano de vida: Coaching de vida



Já diz um antigo ditado, que expressa muito a realidade atual de algumas pessoas: “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”; E é este problema que tenho visto na vida de algumas pessoas nos últimos dias, principalmente jovens – de não fazer a menor ideia do que se quer para a vida ou para o futuro - e eu gostaria de propor uma pequena reflexão sobre isso.

Muitas pessoas estão sem perspectiva de vida, simplesmente porque não foram ensinadas a pensar sobre o seu futuro, e muito menos a planejá-lo. E não digo isto como se houvesse uma filosofia do “viva o aqui e agora”, “deixe o amanhã para depois” com tais pessoas, mas vejo a simples despreocupação geral com a vida. Mas o que significa isso? Isso significa que as pessoas estão cada dia mais vivendo sem objetivos concretos, sem plano de vida, e isto possui implicações cada vez piores para a saúde psicológica do indivíduo.

Viver sem metas claras para a vida é assinar um cheque em branco para a mediocridade, é entregar-se à casualidade ou à rotina e ao comodismo. Mas para que se deve fazer um plano de vida? Simplesmente porque a vida funciona com base na busca de um sentido objetivo de existência (Frankl, 2009), sendo que, a cada objetivo alcançado, elege-se outro para continuar tendo o porquê existir, exemplificando a máxima de Nietzsche que diz, “quem tem pelo o que viver suporta quase qualquer como”. E viver sem objetivos de vida é entregar-se para o esvaziamento do sentido de existência: Isso pode ocorrer abruptamente ou progressivamente, podendo desencadear processos depressivos no indivíduo.

Além de causar um processo de esvaziamento do sentido de existência, viver sem objetivos claros pode levar à um estilo de vida de empobrecimento e ignorância, na medida em que não se importam às condições que estão ao redor do indivíduo, mesmo elas podendo ser ameaçadoras e carentes de preocupação.

Viver sem preocupar-se com objetivos é uma porta aberta para o adoecimento do narcisismo: Este que deveria ser razoavelmente bem resolvido na juventude adulta ou na adultez, pode simplesmente apresentar uma crise, na medida em que, não ter objetivos pelos quais se preocupar, pode dizer algo a respeito do desprezo ao que não seja o eu no aqui e agora.

E por último, resta dizer que, viver sem objetivo de vida é estar fadado ao fracasso ou contar com a sorte: Não pensar no futuro, não pensar nas condições de existência ou no caminho da vida, é o primeiro estágio para o desperdício de potencial, que somado ao desperdício de oportunidades, termina na perda de resultados. Enfim, para viver com qualidade é preciso aprender a transitar entre dois extremos: A certa dosagem de uma ansiedade saudável que motiva para a vida e, viver o aqui-e-agora. Entregar-se para um destes extremos te derruba da corda bamba da vida, mas saber equilibrar-se neste malabarismo, parece fazer toda a diferença.

Referência
Frankl, V. E. (2009). Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração, 25ª Ed. Petrópolis: Vozes.


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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo pela PUC Goiás (Brasil), com graduação sanduíche e estágio em Terapia Sistêmico-Relacional de Casais e Famílias na Universidad Católica Del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) com bolsa da Fundación Botín (Espanha), certificação em Business pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás. Presidente da Rede Goiana de Psicologia.

domingo, 23 de novembro de 2014

Notas sobre a “pobreza psicológica”



“Eu tenho horror a pobre” Caco Antibes (personagem)

Já dizia Caco Antibes, célebre personagem interpretado pelo ator Miguel Falabela (foto acima) entre os anos de 1996 e 2002, na série televisiva “Sai de Baixo”. Pois bem, essa frase tornou-se um grande meme na internet nos últimos anos associada a uma série de situações cotidianas criticadas pela classe média brasileira.
Preconceitos e humor à parte, o objetivo deste texto é fazer algumas observações a respeito da organização psicológica de determinados indivíduos em nossa sociedade. Recentemente um pesquisador norte-americano chamado Thomas Corley publicou seu livro “Rich Habits: The Daily Sucess Habits of Wealthy Individuals” a sua pesquisa, onde sintetiza 9 hábitos que distinguem pessoas ricas de pessoas pobres, chegando à interessantes resultados:

  1.       Ricos sempre tem objetivos de vida claros
  2.       Ricos tem uma agenda: Se organizam e sempre sabe o que deve ser feito hoje
  3.       Ricos não assistem Televisão
  4.       Ricos leem, não por simples prazer, mas por um objetivo específico
  5.       Ricos gostam muito de audioooks
  6.       Ricos trabalham mais do que o necessário
  7.       Ricos não acreditam em enriquecimento fácil ou em ficar ricos do dia para a noite
  8.       Ricos se preocupam com a sua saúde
  9.       Ricos tem uma melhor higiene bucal que a maioria das pessoas
Bom, eu poderia fazer vários comentários a respeito destes pontos, e poderia acrescentar outros mais ainda, mas o que eu gostaria de destaca é algo que eu sempre venho compartilhando: Pobreza não é uma condição financeira, mas uma condição psicológica. Ora, existem muitas coisas que podem definir a pobreza, nestes termos – condições financeiras, família disfuncional, déficit educacional, déficit no desenvolvimento individual, contexto social, área geográfica de nascimento, estimulação pobre ou atraso cognitivo, etc.
Situar a pobreza nestes termos é muito mais do que pensá-la como diferença ou inferioridade econômica. Pobreza é muito mais do que ter ou não ter dinheiro: Um grande exemplo disso é o homem que ganhou milhões de reais (dólares ou euros), mas que perdeu todo o dinheiro gastando-o indevidamente, com futilidades ou fazendo péssimos investimentos. Outro caso ainda é da pessoa que, ganhando uma boa herança, não soube administrá-la usando-a para desenvolver-se enquanto pessoa, mas gastando tudo com hábitos consumistas, e permanecendo com um modus operandi pobre. Ora, não se trata de elencar ou não as prioridades do dinheiro alheio, pois cada um sabe ou julga saber o que faz de seus dividendos, mas trata de refletir sobre a maneira como as pessoas administram as suas situações econômicas.
O que quero dizer ao final é que, a condição econômica de um homem pode estar mais ligada à seu psiquismo do que o imaginado pelo senso comum, e também que, muitas pessoas sem condições econômicas favoráveis, podem ser mais ricas do que muita gente endinheirada: Isso porque o que de fato enriquece uma pessoa é a cultura que ela porta e não o saldo de sua conta-bancária.
Mas fica também um conselho: Antes de tentar enriquecer-se ou aglomerar bens à sua conta, aprimore a sua cultura, pois é ela que de fato te dotará de condições para administrar qualquer avanço que você tenha em qualquer área de sua vida, seja ela financeira, profissional, emocional, familiar e etc., pois o homem bem sucedido não é aquele que muito tem, mas o que sabe administrar bem o que possui. E também nunca esquecer-se que, o melhor caminho para alcançar a “riqueza psicológica” nada mais é do que a educação de si mesmo.

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Sobre o autor


Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil), com graduação sanduíche na Universidad Católica del Norte (Chile), mestrando em psicologia pela UFG (Brasil), com aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) e Fundación Botín (Espanha). É membro da Rede de Servidores Públicos Jovens da América Latina, e da Liga de Transformadores da Fundação Estudar. É Psicólogo Organizacional e Gerente de Recursos Humanos de um Grupo Comercial de Goiânia. Presidente da Rede Goiana de Psicologia.