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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Quanto devo cobrar por uma sessão de psicoterapia?



Essa pergunta nos foi enviada por uma de nossas amigas pelo Facebook, com uma dúvida sobre “quanto devo cobrar por uma sessão de psicoterapia individual?”

Esta é uma excelente pergunta! E o digo porque, via de regras, não somos ensinados na graduação sobre quais são os valores que devem/podem ser cobrados em nossa atuação profissional em diferentes áreas, o que faz com que pisemos em um terreno de incertezas e indefinições.

Em primeiro lugar, há que se esclarecer que, nossas universidades são muito falhas e carentes neste papel formativo no que diz respeito ao psicólogo enquanto profissional NO MERCADO DE TRABALHO, ao passo que, cabe a este mesmo em vários momentos, se aventurar para descobrir. Mas isso quer dizer que não há um valor médio ou fixo pelo qual devo cobrar meus serviços? Não! Existe sim um material que é utilizado como GUIA para que psicólogos possam se basear no momento de estabelecer um preço pelos seus serviços.

A Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI), entidade maior de representação sindical dos psicólogos do Brasil, em conjunto com o Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão regulamentador da profissão, elaboram uma pesquisa, de tempos em tempos, com o objetivo de estimar qual o valor médio cobrado por psicólogos no Brasil por seus serviços. A tabela em vigência, datando do ano de 2013, está em processo de substituição por uma nova (que ainda não foi publicada), mas há que se deixar bem claro que ela representa somente um guia, e não uma obrigação, sendo que o valor dos serviços deve ser acertado entre cliente e profissional. A tabela serve para que o psicólogo tenha referência sobre os valores praticados no país.

Clique na imagem para ampliar, ou siga o link no final do texto


Conforme se pode ver na imagem, existem três margens de valores na tabela, como se a mesma fosse direcionada para diferentes públicos (Suponhamos, a grosso modo, que seja referente a CLASSE A, B e C), precisando um valor limite inferior, um valor limite médio e um valor limite superior: uma sessão de psicoterapia individual, por exemplo, tem como limite inferior o valor de R$ 81,62; limite médio de R$ 118,18; e limite superior de R$ 139,93. Lembrando que estes valores são baseados em uma média nacional extraída através de pesquisa com a categoria profissional, e que não estabelece nem piso e nem teto para a cobrança dos serviços, já que, como já dito, os valores devem ser cobrados conforme contrato realizado pelo profissional e cliente.

Apesar de a tabela ter uma utilidade muito importante para a vida profissional dos psicólogos, ela apresenta uma pequena questão que deve ser observada: ela deve ser aplicada à vida profissional de cada um conforme a demanda e as condições socioeconômicas da população da comunidade onde o psicólogo atua. A tabela é feita respondendo à uma média matemática nacional, mas isso não leva em consideração o fato de que um psicólogo clínico na cidade de São Paulo ou Rio de Janeiro (grandes centros urbanos), ganhem mais do que um psicólogo clínico na cidade de Itapuranga – GO, em média. Ou seja, o psicólogo deve saber usar a seu favor certo nível de pesquisa de mercado, entendendo qual o potencial socioeconômico da população ao qual presta serviços, afinal um trabalhador assalariado, via de regras, tem menor condição financeira do que um empresário, logo não é justo que ambos paguem o mesmo valor, nem que um fique privado de serviços psicológicos pela sua situação financeira, ou mesmo entender que existem determinadas cidades no país em que o poder aquisitivo é maior que as outras e, consequentemente o custo de vida também.

Obviamente, há profissionais de todos os níveis de experiência no mercado de trabalho, e psicólogos que, em Goiânia por exemplos, cobrem R$ 100,00 a sessão, e há psicólogos que cobram R$ 450,00, mas a diferença entre um e outro, geralmente se dá porque o segundo tem uma excelente formação (um doutorado, várias especializações) ou vários anos de experiência no mercado, com uma sólida clientela. Enfim, o que vale, apesar de ter um guia, é o bom senso, sabendo que tempo, formação, experiência e habilidades contam muito para determinar o valor de um serviço.
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Link para a tabela: Site do CFP

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Imagem: Extraída do Google Imagens

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Sobre o autor
Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com periódo sanduíche e formação em terapia Sistêmico Relacional de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profisisonal pela Brown University (Estados Unidos) e Fundación Botín (Espanha). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Presidente da Rede Goiana de Psicologia.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Como começar a trabalhar em Psicologia Clínica em Goiás



Essa é a pergunta de muitos psicólogos recém-formados nas faculdades de Psicologia da terra do pequi. Mas esta não é uma questão simples de ser resolvida, ou simplesmente uma indagação desprovida de angústias: é uma preocupação de gente que tem um profundo desejo de exercer o nobre ofício da psicoterapia, mas que não faz a mínima ideia de como começar.

O psicólogo se forma, faz um bom período de formação, com um primoroso estágio na sua abordagem teórica, é aprovado em um custoso Trabalho de Conclusão de Curso, recebe uma excelente orientação profissional, mas no final, ao desligar-se de sua faculdade se sente “jogado às cobras”, afinal de contas, nada está terminando, senão apenas começando!

É porque não é tão fácil assim este processo, você não sai da universidade e já estão chovendo clientes em seu consultório, ou fazendo filas para que você seja o terapeuta eleito para auxiliar nos processos psicológicos de quem quer que seja. Por isto, além de te apresentar uma possibilidade de atuação prática, vamos eleger algumas dificuldades presentes na dura caminhada de quem quer começar a trilhar a clínica no Estado de Goiás, mas não sabe como fazê-lo, e tentar apresentar uma possibilidade apresentando assim, uma reflexão para a resolução destes problemas.

1 - A primeira dificuldade, já apontada neste texto é que ao sair da universidade, você é mais um profissional desconhecido no mercado e precisa começar a estabelecer a sua rede de relações profissionais. Mas como fazer isso? Cada um vai eleger a sua possibilidade: uns com mais, outros com menos sucesso. E esta fase é extremamente perigosa, pelo simples fato de que alguns psicólogos acabam excedendo os limites éticos no marketing! Isso mesmo, já vimos alguns exageros e inobservâncias que avançaram sobre o código de ética, destroçando-o como se o mesmo nem ao menos tivesse chance de defesa – alguns casos como de psicólogos que anunciavam seus serviços em sites de “compras coletivas”, usando o valor dos serviços como atrativo para sua atividade profissional, misturando atendimento clínico com jogo de tarô, com aconselhamento bíblico, ou diversas outras coisas que “prostituem” a profissão. E isso exemplifica uma questão: NÃO VALE TUDO PARA CONSEGUIR CLIENTES! Existem limites éticos que devem ser seguidos.

2 - O segundo ponto é que psicólogos geralmente não sabem fazer marketing! Sim, eles foram treinados para atender as pessoas com os mais diversos tipos de demandas e simplesmente não sabem promover os seus serviços, observando a ética profissional. Muitas vezes, quando fazem marketing, o fazem de uma maneira vazia e que dificilmente dará um bom retorno profissional.

3 - A terceira dificuldade é que muitos psicólogos não sabem se organizar, e por isso não aprenderão nunca a gerir um consultório! Sim, não possuem capacidade de organizar agenda, documentação de pacientes e do consultório, não sabem que precisam contribuir sindicalmente, declarar imposto de renda, imposto sobre serviços, previdência social, além de várias outras questões burocráticas.

4 - A quarta questão é existe uma burocracia enorme para abrir um espaço para atendimento psicológico: você tem que encontrar um espaço que atenda bem os clientes, que seja bem localizado, deve fazer as adaptações exigidas pelo CRP, Vigilância Sanitária, Bombeiros, deve encontrar um bom contador para abrir a sua pessoa jurídica, caso contrário terá que emitir, pagar e enviar as taxas de uso de solo, registro em junta comercial, abertura de CNPJ, vistoria de corpo de bombeiros, vistoria da vigilância sanitária, inscrição municipal (às vezes inscrição estadual). Depois de tudo isso, aberta a PJ, você deverá ter a sua inscrição ativa no CRP como psicólogo, e também pagar a taxa de inscrição de Pessoa Jurídica no Conselho... Além de ser extremamente demorado e trabalhoso, este processo é...

5 - ...Muito caro! Sim esta é outra dificuldade encontrada pelos psicólogos: A financeira! Além de ter que pagar muitas taxas (que são caras), terá que pagar aluguel de um local (caso não disponha de um), terá que pagar taxas de condomínio (se for em edifício), terá que pagar água, luz, telefone, custos com limpeza e manutenção, adaptações nas instalações físicas do consultório, um valor mensal para um contador assinar pelos documentos de sua empresa, além de ter que pagar uma secretária, caso a necessite. Isso contando que você já tenha os móveis de seu consultório, que também exigem certo investimento financeiro!

Se mesmo depois de tanta dificuldade em burocracia e finanças você conseguir abrir o seu espaço, aí sim é a hora de começar a buscar seus clientes, e você terá que lutar para não ter prejuízo financeiro e não ser levado à falência nos três primeiros meses, afinal de contas, o investimento feito financeira, emocional e profissionalmente é muito grande, e se não houver uma boa administração, você trabalhará operando em prejuízo mês após mês.

Estas são apenas algumas das dificuldades encontradas para quem está tentando iniciar a prática da psicologia clínica no Estado de Goiás, que infelizmente ainda é restrita a um seleto grupo de psicólogos, cujo espaço é de difícil acesso.

Mas o que fazer diante disso? Ora, muitos profissionais adiam o sonho tentando a sorte em outras áreas profissionais, e muitos destes, infelizmente, desestimulados acabam por desistir do sonho de ser um psicoterapeuta: Ou vão trabalhar na atuação no RH (área que absorve grande parte dos profissionais em Goiás), ou lutam por vagas em concursos públicos, para trabalhar em prefeituras de distintas cidades do interior do Estado, em CAPS, Escolas, Atendimentos em Hospitais ou Equipes Multiprofissionais (muitas vezes recebendo um salário bem abaixo do ideal para a profissão), ou mesmo desistem e partem para outros campos do mercado.

Entendendo estas dificuldades do mundo profissional para o psicólogo recém-formado, ou que mesmo já possuindo um bom tempo de graduado queira iniciar as suas atividades na psicologia clínica, é que a Rede projetou uma solução para esta situação, de modo a fortalecer nossa categoria no Estado. Por isso, estamos dando a largada no projeto da INCUBADORA DE CLÍNICAS, que tem como objetivo inserir o psicólogo no mercado de trabalho, na área clínica, utilizando-se de nossa estrutura que está sendo cuidadosamente construída para atender às necessidades de formação/atuação do psicólogo goiano.

Quer conhecer o projeto? Clique aqui e saiba do que se trata.

O que queremos ressaltar com este texto é que, não existe um caminho fácil de acesso ao trabalho na clínica, mas que o mesmo depende única e exclusivamente do psicólogo, na medida em que este encontra soluções criativas para a gestão de sua própria carreira. O que queremos também com este texto é dizer que, mesmo diante de todas as dificuldades do profissional em psicologia, vale à pena lutar pelos seus sonhos e desejos, afinal de contas, é desafiando-nos dia após dia que nos tornaremos aptos para desafiar também aos nossos futuros pacientes.

Um abraço e nossos votos de sucesso!


Rede Goiana de Psicologia - Equipe

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Imagem: Extraída do Google Imagens

sábado, 2 de maio de 2015

Pais como co-terapeutas: a contribuição da psicologia comportamental no processo de desenvolvimento dos filhos



É cada vez mais frequente receber em meu consultório pais desesperados pelos comportamentos dos seus filhos. “Toma, dê um jeito nele” nos entregam na esperança de que possamos oferecer a forma perfeita para os males infantis. A verdade, é que infelizmente, ou felizmente, não existe manual para criar pais e filhos perfeitos. O que nós temos em mãos, são pesquisas de mais de 50 anos, com resultados comprovados, de que sim, um pouco de engenharia comportamental oferece respostas claras e precisas sobre como a criança aprende a se comportar e o que é mais importante para o desenvolvimento infantil nas interações entre filhos e pais.

O que queremos para os nossos filhos?

Responsabilidade, autoestima elevada, assertividade, autocontrole, autonomia, boas habilidades sociais, que sejam amados, confiantes, empáticos, felizes... Mas talvez, a verdadeira pergunta seja qual pedaço da torta de nossas vidas estamos dispostos a abrir mão para desenvolver, passo a passo, estes comportamentos em nossos filhos. Nada por ser feito a não ser pouco a pouco.

A ideia de treinar pais surgiu pensando no fato de que existem escolas e treinamentos para diversas áreas da vida, menos uma das tarefas mais difíceis e para a qual menos somos preparados: Ser pais! Os pais e mães são a maior fonte de modelos para os filhos, e nada melhor do que contar com o apoio dos mesmos como CO-TERAPEUTAS no processo de psicoterapia infantil.

A dificuldade que os pais apresentam, ao chegar à clínica, de descrever os comportamentos adequados do filho é explicada pelo simples fato de que o que está inadequado, geralmente, grita aos olhos, incomoda, e assim, tende a chamar mais atenção. Dessa forma, os pais começam a direcionar sua atenção (sendo está, o que os filhos mais desejam) apenas para os comportamentos inadequados, reforçando a probabilidade de que o filho se comporte novamente assim, quando estiver disposto a conseguir a atenção dos pais. Diante de tantos comportamentos inadequados, só resta à punição.

Palmada virou lugar comum, e muitos pais dizem “eu também levei uns tapas e estou aqui vivo e bem”.

As pessoas dizem que um tapinha não faz mal nenhum e que é bem diferente do espancamento ou mesmo de uma surra. Porém, é importante frisar que a palmada e o espancamento têm o mesmo princípio: Usar a força e o poder para intimidar e punir uma pessoa!

Se você bate em seu filho, qual a primeira coisa que está ensinando? Que a violência é capaz de resolver problemas, que bater é uma forma correta de agir e de expressar sua raiva.

Do ponto de vista ético, a punição física é condenável, uma vez que existem diversas sanções para pessoas que agridem o seu semelhante. Por que, então na relação familiar, permite-se, tolera-se e até incentiva-se que os pais batam em seus filhos?

Como alternativa a punição corporal, a psicoterapia comportamental oferece uma série de técnicas que podem auxiliar os pais de forma efetiva a implantação e manutenção de comportamentos adequados no repertório de seus filhos. Se há regras adequadas, consistentes e bem explicadas, com consequências caso não sejam cumpridas, fica cada vez menos provável a escolha por emissão de comportamentos inadequados.

Muitos pais talvez já tenham utilizado algumas técnicas na criação dos seus filhos e relatam frustação devido à falta de sucesso em aplica-las. Um questionamento mais profundo nos revela que a palavra chave no sucesso da aplicação de técnicas se resume em um aspecto: Consistência. Toda e qualquer ação em prol do desenvolvimento dos filhos precisa ser consistente, a criança precisa saber que o que é colocado hoje, será cobrado amanhã, e depois, e assim sabe que pode se comportar da forma desejada, pois seus pais não mudarão de ideia. A consistência gera confiança, pois se cria uma rotina onde a criança sabe o que vai acontecer, e por isso, tem liberdade para se comportar.

Parece contraditório falar de regras e liberdade, mas ao estabelecer um quadro fixo de regras e tarefas, dentro deste quadro sobra um enorme espaço onde a criança pode e deve se comportar com toda a sua individualidade, sendo assim, reforçada pelos pais.

Quando estabelecemos uma relação e raízes pautadas no respeito, em regras, amor e envolvimento, oferecer asas para que nossos filhos cresçam com autonomia é um caminho natural e gratificante. Os filhos são como pandorgas, só temos certeza que nosso trabalho está completo quando visualizamos, com um misto de tristeza e alegria, ela solta e livre plainando no ar.

Referências

Clark, L. (2008). SOS Ajuda para pais (editora cognitiva)


Pinheiro, Haase & Del Prette (2002) – Pais como co-terapeutas – treinamento em habilidades sociais como recurso adicional.

Weber, L. (2012). Eduque com carinho – para pais e filhos (Juruá)

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Imagem: Extraída do Google Imagens

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Sobre a autora

Laura Gomes de Oliveira, é psicóloga (CRP 09/9137) pela PUC Goiás (Brasil), com estágio em clínica Analítico Comportamental. Aluna especial do mestrado em psicologia da Universidade Federal de Goias (Brasil), possui experiência em psicologia organizacional e, atualmente trabalha como psicóloga clínica comportamental na Clínica Espaço Absolut.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Você sabe o que é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?



Muito conhecido atualmente, o número de diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) têm crescido de modo acelerado em crianças e adolescentes. Por isso, resolvemos falar um pouco sobre o que se trata e como se diagnostica, com o intuito de desmistificar diagnósticos errôneos que são feitos por muitos profissionais da área de saúde.

O TDAH se caracteriza por 3 sintomas principais: desatenção, impulsividade e hiperatividade. Segundo o DSM- IV (2002), os indícios de desatenção se caracterizam por:
  1. A criança/adolescente deixa de prestar atenção em detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares de trabalho ou outras;
  2. Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  3. Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  4. Não segue instruções e não termina seus deveres;
  5. Tem dificuldades para organizar tarefas e atividades;
  6. Evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço constante;
  7. Perde as coisas necessárias;
  8. Distrai-se facilmente por estímulos alheios à tarefa;
  9. Apresenta esquecimento de atividades diárias
  10. Já os sintomas que demonstram hiperatividade-impulsividade se caracterizam por 
Hiperatividade:
  1. Agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
  2. Abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
  3. Corre em demasia em situações onde isso é inapropriado;
  4. Está a mil por hora ou, em muitas  vezes, age como se estivesse a todo vapor;
  5. Fala em demasia;

Impulsividade:
  1. Dá respostas precipitadas antes das perguntas terem sido finalizadas;
  2. Tem dificuldade para aguardar sua vez;
  3. Interrompe ou intromete em assuntos dos outros;
  4. Deve estar fazendo sempre alguma coisa ou se agitando.

É importante ressaltar que existem subtipos de TDAH: o subtipo predominante desatento, em que os sintomas de desatenção dominam o comportamento da criança ou adolescente, o subtipo predominante hiperativo/impulsivo onde os sintomas de hiperatividade e impulsividade caracterizam o comportamento da criança ou adolescente e o subtipo combinado, em que se caracteriza pela presença dos dois tipos de sintomas citados acima.

Geralmente, pais, responsáveis, familiares, professores e amigos quando leem essa tabela de sintomas, rapidamente diagnostica crianças ao seu redor: “fulano é desse jeitinho”, ou então: “cicrano tem esse transtorno, ele age dessa forma que está escrito”. O erro está aí: o diagnóstico de TDAH não é tão simples como está descrito nos sintomas acima.

Primeiramente, é preciso que um profissional capacitado faça uma avaliação da história de vida da criança/adolescente. Pois, esses comportamentos citados anteriormente podem ser decorrentes de conflitos familiares, ambientes escolares inadequados, dificuldades sociais da criança, perda de algum ente querido, entre muitos outros fatores.

Além disso, é preciso que o profissional observe algumas pistas peculiares que indicam a presença do transtorno, tais como: a duração dos sintomas de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade, a frequência, intensidade, persistência em vários locais e ao longo do tempo.

A criança ou adolescente que realmente tem TDAH carrega um prejuízo significativo em sua vida. Portanto, o profissional deve ter o entendimento do significado de cada sintoma, por exemplo, é fundamental verificar se a criança não obedece as instruções dadas por não conseguir prestar atenção no que está sendo dito ou se ela não tem interesse naquilo.

Desse modo, é preciso compreender que uma lista de sintomas sem uma avaliação bem conduzida não significa que a criança/adolescente tenha o transtorno. Pois, atualmente percebe-se uma “epidemia de TDAH’s”, onde as indústrias farmacêuticas inseridas em uma sociedade capitalista lucram às custas dos diagnósticos, que muitas vezes são rápidos e mal avaliados.

Assim, é de suma importância que os pais ou responsáveis procurem profissionais devidamente qualificados. Eles irão conduzir uma avaliação com cautela, que não colocará apenas rótulos nas pessoas para que elas o carreguem no resto de suas vidas.

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Imagem: Extraída do Google Imagens

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Sobre as autoras

Marina Magalhães David
Psicóloga (CRP 09/9789) pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com ênfase na formação em psicologia escolar. Possui formação em “ferramentas para pensar” pelo Programa Aprender a Pensar (uma instituição da PUC Goiás especializada em infância, adolescência, juventude e família). Cursa especialização em Psicologia Clínica pela Sociedade Goiana de Psicodrama (SOGEP). Atualmente é psicóloga infantil pelo Programa Desenvolver e Conselheira da Rede Goiana de Psicologia.




Manuella Garcia Resende de Deus
Psicóloga (CRP 09/9498) pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com ênfase em Psicologia Escolar. Atuou como estagiária no CEJA-Ensino de Jovens e Adultos e no IFG-Instituto Federal de Goiânia, trabalhando com psicologia escolar e educacional. Atualmente é Psicóloga Clínica do Programa Desenvolver e cursa especialização em Psicodrama Psicoterápico

terça-feira, 24 de março de 2015

Meu paciente me indagou: “Você não sabe do que estou falando porque você não é...”



Esta semana estava tendo um saudável debate em uma mesa de almoço com colegas de profissão a respeito da prática clínica, e se havia a necessidade ou não de o psicólogo clínico estar obrigatoriamente em processo de “análise” para ter legitimidade para conduzir um processo terapêutico na vida de alguém. Confesso que não chegamos à uma conclusão no momento, e que muito provavelmente não chegaríamos em um momento posterior, mas me coloquei a refletir sobre o fato e encontrei vários momentos em que a legitimidade do psicólogo é questionada, principalmente na situação clínica (ou pode ser em qualquer outro contexto), e passo a citar alguns exemplos:

  1. O psicólogo é recém formado, com 25 anos de idade, e vai ser terapeuta de um homem de 50 anos, daí escuta do seu paciente: “Eu já vivi o dobro de sua vida, o que você pode saber para me ajudar?”
  2. O psicólogo solteiro, com formação em terapia de casais, ao fazer um atendimento de um casal em crise, escuta: “Mas como você poderia saber disso?! Você não é casado!”.
  3. O psicólogo, atendendo uma mulher: “Isso é coisa de mulher, você não entenderia”.
  4. A psicóloga branca, atendendo uma paciente negra que declara sofrer de racismo: “Você é branca, não sabe o que é racismo”.
E assim, por diante...

Então vamos colocar alguns fatos:

Seguindo a mesma lógica, um médico não pode tratar uma paciente com AIDS ou Câncer, porque não tem a doença; ou um Piloto de Avião não pode voar porque não foi feito com asas; ou ainda, um Sushiman não pode fazer sushi porque não nasceu no Japão... Enfim, por mais toscos que sejam os exemplos, eles evidenciam o lapso lógico que existe nesta linha argumentativa, ao tentar afirmar que as pessoas só possuem legitimidade para fazer algo se cumprirem com um requisito “A” determinado por alguma parcela social que convencionou o fato.

Immanuel Kant (11724-1804) diferenciou há dois século o que ele chamou de Razão Pura de outra chamada Razão Prática, sendo a primeira aquela que, com o uso da intuição filosófica, seguida da razão, era capaz de decifrar o conhecimento porque o mesmo seguiria princípios universais, ao passo que a segunda, nada mais seria do que o conhecimento empírico, aquele advindo da experiência. O que Kant quis dizer foi que, nem todo conhecimento precisa advir da experiência para que seja racional ou para que seja válido. Parafraseando, eu não preciso ter experimentado todas as coisas do mundo para extrair conclusões a respeito delas, porque existe determinada lógica, ou princípios que regem tal conhecimento, e cabe ao crítico da razão pura, decifrá-los.

E para terminar, reduzir a validade de todo conhecimento à experiência é um argumento reducionista que é, de igual forma, insustentável graças à sua contraditoriedade: “Como você pode afirmar que só é possível saber de todas as coisas experimentando-as, se você nunca experimentou todas as coisas para saber disso?” É que no fim, por mais iguais que sejamos, somos todos diferentes, de qualquer forma.

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Imagem: Extraída do Google Imagens

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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil), com graduação sanduíche e estágio em Terapia Sistêmico Relacional de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) e Fundación Botín (Espanha). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Atualmente é pesquisador pela CAPES/MEC e presidente da Rede Goiana de Psicologia.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

O que o vestido preto com azul/amarelo com dourado pode ensinar sobre psicologia clínica?



Chata pra caramba! Foi assim que ficou essa polêmica para algumas pessoas no Facebook. Outros ainda estão descobrindo do que se trata. Alguns, como a minha avó, por exemplo, nem sabem ainda do ocorrido e pouco importa isso para ela. Mas o fato é que uma foto de um vestido, portadora de uma das mais perfeitas ilusões de ótica já vistas na rede nos últimos tempos, despertou a curiosidade de muita gente.

Muitos psiquiatras, neurologistas e neuropsicólogos já falaram sobre o caso, falando sobre o que ocorre com o fenômeno: O fato é que os olhos não são os responsáveis por decifrar nenhum tipo de informação, eles são apenas responsáveis por captá-las e enviá-las para a área Occipital do cérebro, que é a responsável pela organização e interpretação dos estímulos da visão. Mas não vamos por este lado... nosso foco é a psicologia clínica!

Outra coisa interessante desta imagem é que ela foi capaz de mostrar para as pessoas que, coisas tidas como tão exatas ou certeiras, são tão relativas como as julgadas “subjetivas”. E não é de hoje que o tema das cores pode ser relativizado: Daltônicos por exemplo possuem uma percepção de cores diferentes da maioria das pessoas por uma simples alteração biológica.

Ora, vamos traçar alguns paralelos: Nossas sensações e percepções possuem intrínseca relação com o nosso biológico, mas só existem quando este aparato está em contato com a estimulação oferecida pelo meio ambiente, e o fato é que o mesmo estímulo (como a foto de um vestido) pode gerar diferentes tipos de reações. Tal fato também se dá com as emoções: Possuem um substrato endocrinológico, são formuladas no sistema límbico cerebral, são sentidas em determinados momentos em partes do corpo, mas ocorrem por via de estimulação ambiental.

Esse paralelo é importante para que cheguemos ao ponto central deste texto: Assim como pessoas diferentes vendo o mesmo vestido tiveram percepções totalmente diferentes, assim pessoas que passam pelas mesmas situações podem ter emoções totalmente diferentes. Este conceito é chave na psicologia clínica: Ninguém reage ao mesmo estímulo da mesma maneira. Ora, isso que parece ser bastante óbvio para um estudante de psicologia, deveras vezes não o é em uma situação de terapia de casais ou famílias, por exemplo, ou mesmo em uma situação onde um paciente com o narcisismo (aqui faço o empréstimo da categoria psicanalítica) não bem resolvido entende que as pessoas devem sentir-se iguais a ela.

A questão é que, o vestido chato do Facebook é mais interessante do que parece, porque exemplifica um princípio básico da psicologia clínica, tornando-o mais acessível inclusive como forma de alegoria para os pacientes que ainda não chegaram a compreensão de que cada sentimento, pensamento ou percepção são qualitativamente únicos no universo.

E a psicologia, assim como a vida, sempre nos surpreende com estas coisas bobas, ao ponto de fazer com que um simples vestido, possa servir de exemplo para a compreensão de um princípio elementar da vida social que pode ser aplicado na clínica, para qualquer leigo ver, ou perceber. Voi-là! Mais uma ferramenta que pode ser aplicada no consultório: Amanhã mesmo, se tiver um casal para atender, com problemas para entender que cada um percebe/sente os mesmos eventos de maneira diferente, talvez compense imprimir tal foto para fazê-los pensar sobre o tema. Não é fantástica a nossa psicologia?!

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Foto: via G1.com

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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil), com formação sanduíche e estágio em terapia sistêmico relacional de casais e famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) e Fundación Botín (Espanha). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Atualmente é pesquisador pela CAPES/MEC e presidente da Rede Goiana de Psicologia.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Sobre a postura ativa do psicólogo na terapia: Paremos com a clínica das obviedades



A Psicologia clínica é, com certeza, a área de maior visibilidade de nossa ciência: Isso porque o modelo psicanalítico, maior expoente primário da prática, que fez tanto sucesso no século XX, ainda possui suas reminiscências na mídia, universidades e no imaginário coletivo. Outro fator que pode ter ampliado a visibilidade da clínica psicológica foi a sua adoção do modelo biomédico de atuação – a psicologia “clínica” foi um termo cunhado por Lightner Witmer (1867-1956) nos Estados Unidos, por volta do ano de 1907 (Perez & Bauman, 2005), ao tomar o termo emprestado da medicina. Outro fato que ajudou o estabelecimento da Psicologia Clínica com modelos biomédicos foi que os grandes difusores desta prática, através da psicanálise, eram em grande maioria médicos, como Sigmund Freud (1856-1939 ), Alfred Adler (1870-1937), René Spitz (1887-1974),  Donald Winnicott (1896-1971) dentre outros. Mas a medicina também não se resumiu somente à área da psicanálise – Fritz Pearls (1893-1970) pai da Gestalt Terapia também era médico, por exemplo.

O que acontece é que a herança legada pela medicina para a psicologia não se resume somente ao nome “Psicologia clínica”, mas em parte, também à concepção de sujeito desta prática: Muitas escolas da psicologia clínica entendem o sujeito “em tratamento”, através de “sessões de terapia” e o chamam de “paciente”. Tais nomenclaturas são muito mais do que meras conveniências ou casualidades, o que eu pretendo demonstrar a seguir.

Entendendo isto, por exemplo, a Gestalt Terapia, como forma de demarcar a sua postura diferente, passou a adotar a terminologia “cliente” para o sujeito na psicologia clínica. Isso se deve pelo fato desta escola adotar abertamente uma postura humanista existencial que se contrapunha ao determinismo psíquico na clínica psicanalítica, da visão de “paciente” do sujeito na clínica.

Todavia, não quero apresentar as diferentes concepções das escolas a respeito do sujeito no processo clínico, mas dizer o que a ideologia dominante representou para a atuação do psicólogo na atualidade.

Quem nunca escutou a seguinte frase: “Vou ao psicólogo e ele só fica perguntando como eu estou me sentido?” ou ainda, “Tudo o que eu pergunto para o psicólogo ele me responde: ‘Mas e você, o que você acha?”... Essas falas são usadas pelas pessoas como protesto contra a obviedade da intervenção psicológica no ambiente clínico, e com razão, afinal de contas, para que pagar suados R$ 100, R$ 200 ou R$ 300 em uma consulta tautológica?!

Tal postura de feedback de obviedades se deu graças ao entendimento, errôneo em meu ponto de vista, da postura do psicólogo diante do sujeito. Isso porque se entende um sujeito totalmente distorcido da realidade em certos aspectos: Ok, entende-se que o sujeito em atendimento clínico é um sujeito fragilizado pelas circunstâncias, mas o fato é que muitas vezes é um ser que, na clínica, é diminuído em sua autonomia em prol de um discurso de não interferência. Como assim? Simples, o sujeito na clínica possui a tendência quase natural de perguntar “o que você acha disso ‘doutor’?”, em um movimento de busca de referência (ou confirmação)... mas este acontecimento muitas vezes “acua” os terapeutas que foram ensinados a “não in(ter)ferirem para não sugestionar o paciente”.

Idealmente a postura da não interferência é “quase perfeita”, todavia, levada ao extremo, ela é um princípio motor para a manutenção de uma clínica de obviedades. A pergunta que eu sempre me faço é: O sujeito na clínica é tão passivo assim? Ao ponto de aceitar qualquer intervenção psicoterapêutica como verdade absoluta de maneira inquestionável? Sim, ele pode (quase tudo é possível na clínica em se tratando de comportamento humano), mas na grande maioria das vezes não! O que passa é que os psicólogos por conta de uma ideologia clínica tem subestimado a capacidade dos seus “pacientes” de serem sujeitos ativos em um processo terapêutico.

O que passa é que tudo depende da relação estabelecida entre o profissional e o cliente, e idealmente esta relação deve ser baseada no fortalecimento da autonomia do sujeito. Interessantemente, esta postura do paciente como sujeito ativo que não é uma porta escancarada para o sugestionamento do terapeuta já vem sendo defendida por González Rey (2007) em uma nova perspectiva de clínica.

Tudo depende da maneira como olhamos para o sujeito que está diante de nós, da maneira como estabelecemos nossa relação com ele, e dos objetivos da ação clínica: Deve-se olhar para cada sujeito em sua particularidade, e também inserir-se como psicólogo sujeito ativo no processo – muitas vezes, o que o “paciente” quer é uma simples opinião do profissional para estabelecer uma referência, não quer dizer que ele vá adotar cada palavra do terapeuta como literais conselhos.

Lembro-me de uma vez em que no setting clínico uma pessoa me perguntou: “Você, por acaso, não faria a mesma coisa que eu fiz nesta situação?” ao passo que eu respondi “Não, eu não faria deste jeito, eu provavelmente faria (expliquei a maneira)..., mas o que acontece é que você não sou eu, e que não estamos tratando de uma hipótese”... O cliente se surpreendeu como uma resposta tão direta assim (já que estava acostumado com psicólogos respondendo “Não importa o que eu faria, eu quero saber o que você faria, ou como faria diferente”), e no final disse, “é... realmente, eu poderia ter feito de outra maneira”. O que acontece é que, neste caso em especial, o cliente entendeu que ele tinha outras possibilidades da agir no mesmo problema, e que não tinha sido capaz de vê-las até o momento. O trabalho com ele seguiu para que este pudesse ampliar a percepção de suas possibilidades de atuação diante de seus problemas e para deixar de trabalhar no “mundo do ‘SE’”.

O que acontece no caso acima é que, a relação foi trabalhada com base no pressuposto de dois sujeitos ativos que construíram uma relação respeitosa e com os objetivos e limites bem estabelecidos. Exemplos como este, para mim, reforçam a ideia de que o sujeito que está diante de nós é autônomo e ativo, e tem uma capacidade de autorregulação que muitas vezes é subjugada pelo pensamento clínico.

Não se trata de sair fazendo inferências, dando palpites ou sugestões na vida do paciente, mas ser sincero, honesto e se posicionar como sujeito ativo na relação. Essa postura ativa na relação terapêutica deve ser seguida pelas duas partes, tanto do cliente como do terapeuta, pois o terapeuta, ao se colocar em uma relação profissional, também é dotado de singularidade, e esta é um elemento decisivo no processo clínico para estabelecer as referências de limites até mesmo para o cliente. O que temos que ter neste ponto é, uma maior reflexão sobre maneira como olhamos o sujeito na clínica.

Referências
González Rey, F. L. (2007). Psicoterapia, subjetividade e pós-modernidade: uma aproximação histórico cultural. São Paulo: Thomsom .

Perez, M. & Bauman, U. (2005). Lehrbuch klinische Psychologie - Psychotherapie, 3. Aufl. Bern: Huber.

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Imagem: Google Imagens

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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil), com graduação sanduíche e estágio em terapia sistêmico-relacional de casais e famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) e Fundación Botín (Espanha). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Atualmente é pesquisador pela CAPES/MEC e presidente da Rede Goiana de Psicologia.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Quatro habilidades básicas de um psicoterapeuta



Preço licença para quebrar o protocolo usual da escrita formal, e usar a primeira pessoa do singular para tratar deste assunto, ou pelo menos para introduzi-lo. Faço isso desta maneira porque sempre achei paradigmas estáticos questões muito “chatas” ou “desatualizadas”, assim como todos os dogmas que os sustentam, inclusive na escrita. A escrita acadêmica (ou semi-acadêmica) que preza pela neutralidade, formalidade e pela terceira pessoa, deve dar espaço à identidade do sujeito por trás das palavras: Aquele que se expressa social e politicamente a respeito dos temas. Enfim, precisamos romper com alguns paradigmas velhos para reconciliar aspectos irreconciliáveis de nossa ciência, e um destes paradigmas se coloca na questão da exposição de nossos pontos de vista.

Estava refletindo sobre uma questão muito importante em nossa atualidade, e que possui um significado especial em minha formação (na minha graduação, mestrado e também na vida profissional): A questão da fragmentação da Psicologia, enquanto ciência e profissão. Desde o início dos saberes psicológicos, a nossa ciência se dividiu em várias escolas de pensamento: Criou-se a psicanálise, o behaviorismo, a gestalt, o psicodrama, o cognitivismo, etc, etc, etc, e cada uma fala algo que lhe é particular: Um objeto de estudo, uma dinâmica, uma metodologia, uma epistemologia e uma ontologia, todas diferentes (Schultz & Schultz, 2009).

Tendo em vista este panorama de fragmentação teórica e prática, vários psicólogos escreveram teses e teses em busca de uma solução para o problema: Um destes foi Vigotski (1927/2009) que no seu célebre texto “O significado histórico da crise na Psicologia argumentou que era necessário encontrar as bases para uma psicologia geral, de modo a termos uma ciência consistente e não simplesmente especulativa.

Comungando com a ideia de Vigotski, ao nos propor sobre o pensamento de integrar o saber das psicologias, devemos nos perguntar, o que há de básico, ou de comum à todas essas escolas? Existem princípios gerais do conhecimento psicológico que podem ser aplicados na prática? Acredito que sim! Mas isto é uma coisa que levará anos, quem sabe décadas para ser melhor estruturado por uma escola de pensamento, ou que talvez nunca tenha uma solução como a pensamos hoje, afinal de contas, a psicologia é tão dinâmica como os homens que a fazem.

Por isso, ao pensar sobre o tema, identifico quatro princípios básicos que podem ser considerados habilidades necessárias à todo e qualquer (bom) psicoterapeuta:

Escutar: Escutar é muito mais do que ouvir, mas é a capacidade de compreender intelectiva e emocionalmente o conteúdo trazido pelo seu cliente, e é uma arte que envolve um grande treinamento e empatia.

Sintetizar: É a arte de conectar pontos que muitas vezes, na fala do cliente, estão desconectados ou emaranhados em toda uma capa discursiva, em uma sequência lógica, objetiva e compreensível.

Devolver: É muito mais do que devolver uma descrição da fala do cliente, ou mesmo repetir como um eco a voz do paciente, mas é entregar um conteúdo sintetizado ao paciente de modo à...

Gerar reflexão crítica: Ora, esta nada mais é do que colocar o pensamento em cheque, demonstrando as suas inconsistências ou forças, e tentar construir novos caminhos e habilidades. Gerar reflexão crítica é colocar o pensamento em crise, pois somente esta é capaz de desestabilizar estruturas antigas para reformá-las ou colocar novas no lugar.

Estas quatro habilidades que parecem ser muito simples, são mais do que isto, são verdadeiras artes na questão relacional humana, e são necessárias para a realização de qualquer trabalho com qualquer pessoa no âmbito psicológico. Se uma pessoa quer ser um bom psicólogo, deve se colocar no lugar de alguém pronto a aprender sobre estas quatro questões, senão será somente mais um perpetuador da psicologia do senso comum, destas que se compram em qualquer livro de autoajuda ou em qualquer conselho leigo.


Referências

Schultz, D. P. & Schultz, S. E. (2009). História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cengage Learning.

Vigotski, L. S. (2011). Obras Escogidas: Tomo 1. Madrid: Antonio Machado Libros.

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Foto: Retirada do Google Imagens
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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil) com graduação sanduíche e estágio em terapia de casais e famílias pela Universidad Católica Del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Atualmente é pesquisador pela CAPES e presidente da Rede Goiana de Psicologia.