terça-feira, 12 de maio de 2015

Como começar a trabalhar em Psicologia Clínica em Goiás



Essa é a pergunta de muitos psicólogos recém-formados nas faculdades de Psicologia da terra do pequi. Mas esta não é uma questão simples de ser resolvida, ou simplesmente uma indagação desprovida de angústias: é uma preocupação de gente que tem um profundo desejo de exercer o nobre ofício da psicoterapia, mas que não faz a mínima ideia de como começar.

O psicólogo se forma, faz um bom período de formação, com um primoroso estágio na sua abordagem teórica, é aprovado em um custoso Trabalho de Conclusão de Curso, recebe uma excelente orientação profissional, mas no final, ao desligar-se de sua faculdade se sente “jogado às cobras”, afinal de contas, nada está terminando, senão apenas começando!

É porque não é tão fácil assim este processo, você não sai da universidade e já estão chovendo clientes em seu consultório, ou fazendo filas para que você seja o terapeuta eleito para auxiliar nos processos psicológicos de quem quer que seja. Por isto, além de te apresentar uma possibilidade de atuação prática, vamos eleger algumas dificuldades presentes na dura caminhada de quem quer começar a trilhar a clínica no Estado de Goiás, mas não sabe como fazê-lo, e tentar apresentar uma possibilidade apresentando assim, uma reflexão para a resolução destes problemas.

1 - A primeira dificuldade, já apontada neste texto é que ao sair da universidade, você é mais um profissional desconhecido no mercado e precisa começar a estabelecer a sua rede de relações profissionais. Mas como fazer isso? Cada um vai eleger a sua possibilidade: uns com mais, outros com menos sucesso. E esta fase é extremamente perigosa, pelo simples fato de que alguns psicólogos acabam excedendo os limites éticos no marketing! Isso mesmo, já vimos alguns exageros e inobservâncias que avançaram sobre o código de ética, destroçando-o como se o mesmo nem ao menos tivesse chance de defesa – alguns casos como de psicólogos que anunciavam seus serviços em sites de “compras coletivas”, usando o valor dos serviços como atrativo para sua atividade profissional, misturando atendimento clínico com jogo de tarô, com aconselhamento bíblico, ou diversas outras coisas que “prostituem” a profissão. E isso exemplifica uma questão: NÃO VALE TUDO PARA CONSEGUIR CLIENTES! Existem limites éticos que devem ser seguidos.

2 - O segundo ponto é que psicólogos geralmente não sabem fazer marketing! Sim, eles foram treinados para atender as pessoas com os mais diversos tipos de demandas e simplesmente não sabem promover os seus serviços, observando a ética profissional. Muitas vezes, quando fazem marketing, o fazem de uma maneira vazia e que dificilmente dará um bom retorno profissional.

3 - A terceira dificuldade é que muitos psicólogos não sabem se organizar, e por isso não aprenderão nunca a gerir um consultório! Sim, não possuem capacidade de organizar agenda, documentação de pacientes e do consultório, não sabem que precisam contribuir sindicalmente, declarar imposto de renda, imposto sobre serviços, previdência social, além de várias outras questões burocráticas.

4 - A quarta questão é existe uma burocracia enorme para abrir um espaço para atendimento psicológico: você tem que encontrar um espaço que atenda bem os clientes, que seja bem localizado, deve fazer as adaptações exigidas pelo CRP, Vigilância Sanitária, Bombeiros, deve encontrar um bom contador para abrir a sua pessoa jurídica, caso contrário terá que emitir, pagar e enviar as taxas de uso de solo, registro em junta comercial, abertura de CNPJ, vistoria de corpo de bombeiros, vistoria da vigilância sanitária, inscrição municipal (às vezes inscrição estadual). Depois de tudo isso, aberta a PJ, você deverá ter a sua inscrição ativa no CRP como psicólogo, e também pagar a taxa de inscrição de Pessoa Jurídica no Conselho... Além de ser extremamente demorado e trabalhoso, este processo é...

5 - ...Muito caro! Sim esta é outra dificuldade encontrada pelos psicólogos: A financeira! Além de ter que pagar muitas taxas (que são caras), terá que pagar aluguel de um local (caso não disponha de um), terá que pagar taxas de condomínio (se for em edifício), terá que pagar água, luz, telefone, custos com limpeza e manutenção, adaptações nas instalações físicas do consultório, um valor mensal para um contador assinar pelos documentos de sua empresa, além de ter que pagar uma secretária, caso a necessite. Isso contando que você já tenha os móveis de seu consultório, que também exigem certo investimento financeiro!

Se mesmo depois de tanta dificuldade em burocracia e finanças você conseguir abrir o seu espaço, aí sim é a hora de começar a buscar seus clientes, e você terá que lutar para não ter prejuízo financeiro e não ser levado à falência nos três primeiros meses, afinal de contas, o investimento feito financeira, emocional e profissionalmente é muito grande, e se não houver uma boa administração, você trabalhará operando em prejuízo mês após mês.

Estas são apenas algumas das dificuldades encontradas para quem está tentando iniciar a prática da psicologia clínica no Estado de Goiás, que infelizmente ainda é restrita a um seleto grupo de psicólogos, cujo espaço é de difícil acesso.

Mas o que fazer diante disso? Ora, muitos profissionais adiam o sonho tentando a sorte em outras áreas profissionais, e muitos destes, infelizmente, desestimulados acabam por desistir do sonho de ser um psicoterapeuta: Ou vão trabalhar na atuação no RH (área que absorve grande parte dos profissionais em Goiás), ou lutam por vagas em concursos públicos, para trabalhar em prefeituras de distintas cidades do interior do Estado, em CAPS, Escolas, Atendimentos em Hospitais ou Equipes Multiprofissionais (muitas vezes recebendo um salário bem abaixo do ideal para a profissão), ou mesmo desistem e partem para outros campos do mercado.

Entendendo estas dificuldades do mundo profissional para o psicólogo recém-formado, ou que mesmo já possuindo um bom tempo de graduado queira iniciar as suas atividades na psicologia clínica, é que a Rede projetou uma solução para esta situação, de modo a fortalecer nossa categoria no Estado. Por isso, estamos dando a largada no projeto da INCUBADORA DE CLÍNICAS, que tem como objetivo inserir o psicólogo no mercado de trabalho, na área clínica, utilizando-se de nossa estrutura que está sendo cuidadosamente construída para atender às necessidades de formação/atuação do psicólogo goiano.

Quer conhecer o projeto? Clique aqui e saiba do que se trata.

O que queremos ressaltar com este texto é que, não existe um caminho fácil de acesso ao trabalho na clínica, mas que o mesmo depende única e exclusivamente do psicólogo, na medida em que este encontra soluções criativas para a gestão de sua própria carreira. O que queremos também com este texto é dizer que, mesmo diante de todas as dificuldades do profissional em psicologia, vale à pena lutar pelos seus sonhos e desejos, afinal de contas, é desafiando-nos dia após dia que nos tornaremos aptos para desafiar também aos nossos futuros pacientes.

Um abraço e nossos votos de sucesso!


Rede Goiana de Psicologia - Equipe

-----
Imagem: Extraída do Google Imagens

sábado, 2 de maio de 2015

Pais como co-terapeutas: a contribuição da psicologia comportamental no processo de desenvolvimento dos filhos



É cada vez mais frequente receber em meu consultório pais desesperados pelos comportamentos dos seus filhos. “Toma, dê um jeito nele” nos entregam na esperança de que possamos oferecer a forma perfeita para os males infantis. A verdade, é que infelizmente, ou felizmente, não existe manual para criar pais e filhos perfeitos. O que nós temos em mãos, são pesquisas de mais de 50 anos, com resultados comprovados, de que sim, um pouco de engenharia comportamental oferece respostas claras e precisas sobre como a criança aprende a se comportar e o que é mais importante para o desenvolvimento infantil nas interações entre filhos e pais.

O que queremos para os nossos filhos?

Responsabilidade, autoestima elevada, assertividade, autocontrole, autonomia, boas habilidades sociais, que sejam amados, confiantes, empáticos, felizes... Mas talvez, a verdadeira pergunta seja qual pedaço da torta de nossas vidas estamos dispostos a abrir mão para desenvolver, passo a passo, estes comportamentos em nossos filhos. Nada por ser feito a não ser pouco a pouco.

A ideia de treinar pais surgiu pensando no fato de que existem escolas e treinamentos para diversas áreas da vida, menos uma das tarefas mais difíceis e para a qual menos somos preparados: Ser pais! Os pais e mães são a maior fonte de modelos para os filhos, e nada melhor do que contar com o apoio dos mesmos como CO-TERAPEUTAS no processo de psicoterapia infantil.

A dificuldade que os pais apresentam, ao chegar à clínica, de descrever os comportamentos adequados do filho é explicada pelo simples fato de que o que está inadequado, geralmente, grita aos olhos, incomoda, e assim, tende a chamar mais atenção. Dessa forma, os pais começam a direcionar sua atenção (sendo está, o que os filhos mais desejam) apenas para os comportamentos inadequados, reforçando a probabilidade de que o filho se comporte novamente assim, quando estiver disposto a conseguir a atenção dos pais. Diante de tantos comportamentos inadequados, só resta à punição.

Palmada virou lugar comum, e muitos pais dizem “eu também levei uns tapas e estou aqui vivo e bem”.

As pessoas dizem que um tapinha não faz mal nenhum e que é bem diferente do espancamento ou mesmo de uma surra. Porém, é importante frisar que a palmada e o espancamento têm o mesmo princípio: Usar a força e o poder para intimidar e punir uma pessoa!

Se você bate em seu filho, qual a primeira coisa que está ensinando? Que a violência é capaz de resolver problemas, que bater é uma forma correta de agir e de expressar sua raiva.

Do ponto de vista ético, a punição física é condenável, uma vez que existem diversas sanções para pessoas que agridem o seu semelhante. Por que, então na relação familiar, permite-se, tolera-se e até incentiva-se que os pais batam em seus filhos?

Como alternativa a punição corporal, a psicoterapia comportamental oferece uma série de técnicas que podem auxiliar os pais de forma efetiva a implantação e manutenção de comportamentos adequados no repertório de seus filhos. Se há regras adequadas, consistentes e bem explicadas, com consequências caso não sejam cumpridas, fica cada vez menos provável a escolha por emissão de comportamentos inadequados.

Muitos pais talvez já tenham utilizado algumas técnicas na criação dos seus filhos e relatam frustação devido à falta de sucesso em aplica-las. Um questionamento mais profundo nos revela que a palavra chave no sucesso da aplicação de técnicas se resume em um aspecto: Consistência. Toda e qualquer ação em prol do desenvolvimento dos filhos precisa ser consistente, a criança precisa saber que o que é colocado hoje, será cobrado amanhã, e depois, e assim sabe que pode se comportar da forma desejada, pois seus pais não mudarão de ideia. A consistência gera confiança, pois se cria uma rotina onde a criança sabe o que vai acontecer, e por isso, tem liberdade para se comportar.

Parece contraditório falar de regras e liberdade, mas ao estabelecer um quadro fixo de regras e tarefas, dentro deste quadro sobra um enorme espaço onde a criança pode e deve se comportar com toda a sua individualidade, sendo assim, reforçada pelos pais.

Quando estabelecemos uma relação e raízes pautadas no respeito, em regras, amor e envolvimento, oferecer asas para que nossos filhos cresçam com autonomia é um caminho natural e gratificante. Os filhos são como pandorgas, só temos certeza que nosso trabalho está completo quando visualizamos, com um misto de tristeza e alegria, ela solta e livre plainando no ar.

Referências

Clark, L. (2008). SOS Ajuda para pais (editora cognitiva)


Pinheiro, Haase & Del Prette (2002) – Pais como co-terapeutas – treinamento em habilidades sociais como recurso adicional.

Weber, L. (2012). Eduque com carinho – para pais e filhos (Juruá)

------------------
Imagem: Extraída do Google Imagens

------------------
Sobre a autora

Laura Gomes de Oliveira, é psicóloga (CRP 09/9137) pela PUC Goiás (Brasil), com estágio em clínica Analítico Comportamental. Aluna especial do mestrado em psicologia da Universidade Federal de Goias (Brasil), possui experiência em psicologia organizacional e, atualmente trabalha como psicóloga clínica comportamental na Clínica Espaço Absolut.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Você sabe o que é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?



Muito conhecido atualmente, o número de diagnósticos de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) têm crescido de modo acelerado em crianças e adolescentes. Por isso, resolvemos falar um pouco sobre o que se trata e como se diagnostica, com o intuito de desmistificar diagnósticos errôneos que são feitos por muitos profissionais da área de saúde.

O TDAH se caracteriza por 3 sintomas principais: desatenção, impulsividade e hiperatividade. Segundo o DSM- IV (2002), os indícios de desatenção se caracterizam por:
  1. A criança/adolescente deixa de prestar atenção em detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares de trabalho ou outras;
  2. Tem dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  3. Parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  4. Não segue instruções e não termina seus deveres;
  5. Tem dificuldades para organizar tarefas e atividades;
  6. Evita, antipatiza ou reluta em envolver-se em tarefas que exijam esforço constante;
  7. Perde as coisas necessárias;
  8. Distrai-se facilmente por estímulos alheios à tarefa;
  9. Apresenta esquecimento de atividades diárias
  10. Já os sintomas que demonstram hiperatividade-impulsividade se caracterizam por 
Hiperatividade:
  1. Agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
  2. Abandona sua cadeira em sala de aula ou em outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
  3. Corre em demasia em situações onde isso é inapropriado;
  4. Está a mil por hora ou, em muitas  vezes, age como se estivesse a todo vapor;
  5. Fala em demasia;

Impulsividade:
  1. Dá respostas precipitadas antes das perguntas terem sido finalizadas;
  2. Tem dificuldade para aguardar sua vez;
  3. Interrompe ou intromete em assuntos dos outros;
  4. Deve estar fazendo sempre alguma coisa ou se agitando.

É importante ressaltar que existem subtipos de TDAH: o subtipo predominante desatento, em que os sintomas de desatenção dominam o comportamento da criança ou adolescente, o subtipo predominante hiperativo/impulsivo onde os sintomas de hiperatividade e impulsividade caracterizam o comportamento da criança ou adolescente e o subtipo combinado, em que se caracteriza pela presença dos dois tipos de sintomas citados acima.

Geralmente, pais, responsáveis, familiares, professores e amigos quando leem essa tabela de sintomas, rapidamente diagnostica crianças ao seu redor: “fulano é desse jeitinho”, ou então: “cicrano tem esse transtorno, ele age dessa forma que está escrito”. O erro está aí: o diagnóstico de TDAH não é tão simples como está descrito nos sintomas acima.

Primeiramente, é preciso que um profissional capacitado faça uma avaliação da história de vida da criança/adolescente. Pois, esses comportamentos citados anteriormente podem ser decorrentes de conflitos familiares, ambientes escolares inadequados, dificuldades sociais da criança, perda de algum ente querido, entre muitos outros fatores.

Além disso, é preciso que o profissional observe algumas pistas peculiares que indicam a presença do transtorno, tais como: a duração dos sintomas de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade, a frequência, intensidade, persistência em vários locais e ao longo do tempo.

A criança ou adolescente que realmente tem TDAH carrega um prejuízo significativo em sua vida. Portanto, o profissional deve ter o entendimento do significado de cada sintoma, por exemplo, é fundamental verificar se a criança não obedece as instruções dadas por não conseguir prestar atenção no que está sendo dito ou se ela não tem interesse naquilo.

Desse modo, é preciso compreender que uma lista de sintomas sem uma avaliação bem conduzida não significa que a criança/adolescente tenha o transtorno. Pois, atualmente percebe-se uma “epidemia de TDAH’s”, onde as indústrias farmacêuticas inseridas em uma sociedade capitalista lucram às custas dos diagnósticos, que muitas vezes são rápidos e mal avaliados.

Assim, é de suma importância que os pais ou responsáveis procurem profissionais devidamente qualificados. Eles irão conduzir uma avaliação com cautela, que não colocará apenas rótulos nas pessoas para que elas o carreguem no resto de suas vidas.

--------------------
Imagem: Extraída do Google Imagens

-------------------
Sobre as autoras

Marina Magalhães David
Psicóloga (CRP 09/9789) pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com ênfase na formação em psicologia escolar. Possui formação em “ferramentas para pensar” pelo Programa Aprender a Pensar (uma instituição da PUC Goiás especializada em infância, adolescência, juventude e família). Cursa especialização em Psicologia Clínica pela Sociedade Goiana de Psicodrama (SOGEP). Atualmente é psicóloga infantil pelo Programa Desenvolver e Conselheira da Rede Goiana de Psicologia.




Manuella Garcia Resende de Deus
Psicóloga (CRP 09/9498) pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com ênfase em Psicologia Escolar. Atuou como estagiária no CEJA-Ensino de Jovens e Adultos e no IFG-Instituto Federal de Goiânia, trabalhando com psicologia escolar e educacional. Atualmente é Psicóloga Clínica do Programa Desenvolver e cursa especialização em Psicodrama Psicoterápico

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Desculpe, sou psicólogo(a), não tenho bola de cristal



Eu queria saber de onde foi que tiraram a ideia fixa de que psicólogos advinham a “mente” das pessoas... Aliás, para alguns psicólogos, que é o caso dos behavioristas, “mente” nem existe. Mas, debates sobre a natureza da psicologia à parte, todos nós encaramos uma vez ou outra na vida esta “piadinha”, ou então a ideia de que temos “poderes” para decifrar as pessoas.

Não! Por favor, se você é uma destas pessoas, pare! Mas porque falo isto? Simplesmente pelo fato de que o que fazemos não é mágica, mas sim ciência! Isto pelo fato de que baseamos nossa atuação através de um conjunto de métodos filosófica e experimentalmente válidos. Isso quer dizer que nossa atuação é guiada por instrumentos que foram previamente observados, experimentados e validados, de modo que tenhamos meios lógicos para fazermos inferências a respeito do comportamento humano e sobre seus desdobramentos.

Quando um psicólogo, em um consultório, ou em uma situação qualquer de trabalho, faz afirmações ou inferências a respeito de sentimentos, formas de pensar ou de agir, é porque existem certos padrões de comportamentos que são relativamente comuns à determinados tipos de situações. E estes padrões são exaustivamente observados para que possamos ter uma certa base de “previsibilidade”. Sim, a psicologia trabalha com certa previsibilidade, afinal de contas, se não o fizesse, seria uma ciência meramente descritiva, como o é a história, mas busca o status de uma ciência explicativa, na medida em que tenta, entendendo determinados padrões de comportamento, auxiliar no caminho do desenvolvimento humano.

Todavia, mesmo observando exaustivamente as pessoas em seus comportamentos, há que se deixar bem claro que, se a psicologia não se parece com a história, tampouco se parece com a matemática, na medida em que, quando falamos de previsibilidade, esta está sempre sujeita ao crivo da probabilidade, ou seja, é provável que um comportamento ocorra se determinadas condições ambientais existirem, todavia isso não é 100% garantido. Mas se não podemos garantir com 100% de certeza sobre qualquer previsão, porque a psicologia existe? Simples! Ela existe porque não se propõe a ser uma “leitura de mãos modernas”, nem uma ciência da bola de cristal, mas uma ciência que se coloca em um lugar crítico, que questiona a si mesma, seus métodos, e os sujeitos sobre os quais atua.

Neste sentido, a psicologia é muito mais do que uma ciência que busca prever comportamentos, mas sim colocá-los em constante análise, na tentativa de ser uma crítica da realidade e da humanidade, tentando construir uma sociedade mais saudável e sempre disposta a desenvolver seu potencial. Assim, a psicologia é muito mais uma ciência do desenvolvimento humano, do que uma mera tentativa de prever e catalogar comportamentos, por mais que em alguns momentos seja possível prever alguns pelo simples fortalecimento da observação e levantamento de probabilidades.

É neste sentido que temos que advertir sempre que por mais que seja fácil prever padrões de comportamento em alguns momentos, esse nem de longe é o objetivo de nossa ciência, o objetivo de nossa ciência é buscar uma sociedade cada vez mais saudável e crítica a respeito de si mesma.

----------------------------------
Imagem: Extraída do Google Imagens

----------------------------------
Sobre o autor

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil) com graduação sanduíche e formação em Terapia Sistêmico-Relacional de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) e pela Fundación Botín (Espanha). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Atualmente é pesquisador pela CAPES/MEC e presidente da Rede Goiana de Psicologia.

sábado, 25 de abril de 2015

Porque algumas crianças choram tanto?



Descartando as questões de fome e saúde, as crianças choram tanto pelo simples fato de que APRENDERAM A CHORAR COMO FORMA DE SE COMUNICAR! Em verdade, o choro é um componente inato do comportamento humano (ou seja, já nasce com a criança), mas ele passa a adquirir contornos sociais na medida em que a criança aprende que ele mobiliza os pais (ou responsáveis) para a satisfação de suas necessidades e desejos; ou seja, a criança entende que se ela chorar mobilizará as pessoas ao seu redor para a satisfação de suas necessidades.

É uma questão de reforçamento: se a criança chorar, e por conta de seu choro tiver as suas vontades satisfeitas, ela irá chorar sempre, de modo que o comportamento de chorar será fortalecido.

Os pais devem ter cuidado de verificar sempre a saúde da criança, se a mesma está alimentada, se está higienizada ou se não existe nenhum outro fator externo que esteja causando incômodo, esses também são motivos para os temíveis choros das crianças. Todavia os pais também não devem descartar a possibilidade de as mesmas estarem chorando como simples maneira de mobilizá-los para a satisfação de suas necessidades.

Uma coisa importante de lembrar é que as crianças ainda não aprenderam a clara estipulação de limites, então, muitas de suas vontades serão nada menos que a mais pura necessidade de manipular o mundo ao seu redor, pelo simples fato de não terem aprendido que elas não são o centro do universo.

Esta é uma etapa difícil na formação dos filhos, mas com muita paciência e calma ela pode ser superada, e os pais devem ficar atentos para perceberem se não estão sendo controlados pelas vontades irracionais dos filhos, lembrando que não é saudável atender a todas as vontades dos filhos em toda e qualquer hora. A criança deve aprender desde cedo de que existem limites para as suas vontades e que existem outras vontades (de outras pessoas) no mundo, e que estas não estão subordinadas às suas.

Neste sentido, o que os pais devem aprender é que, em um determinado momento da vida de seu filho, principalmente onde ele já começa a esboçar os primeiros balbucios, há maneiras de ensinar a criança de que existem outras formas de comunicação que não seja somente o choro. Esta pode ser a diferença entre criar um filho compreensivo e um filho intolerante.

Neste sentido, há muito mais da habilidade dos pais em serem educadore, desde o primeiro ano de vida, do que os mesmos podem imaginar: não devemos desprezar a capacidade das crianças de serem sujeitos que aprendem, ainda que na mais tenra idade.

------------------
Imagem: Extraída do Google Imagens

-----------------
Sobre o autor

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) pela PUC Goiás (Brasil) com graduação sanduíche e formação em Terapia Sistêmico-Relacional de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (Estados Unidos) e pela Fundación Botín (Espanha). Mestrando em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Atualmente é pesquisador pela CAPES/MEC e presidente da Rede Goiana de Psicologia.